Em abril de 2026, o índice de ruptura nos supermercados brasileiros medido pela Neogrid fechou em 11,5%. Significa que, a cada dez produtos que deveriam estar na gôndola, mais de um simplesmente não estava lá para o consumidor levar.
O número varia forte por categoria. Ovos lideram o ranking de ruptura, com 25,5%. Leite UHT vem em seguida, subindo de 19,1% para 20,7% no período. Já café, arroz e feijão aparecem entre as categorias mais estáveis, com ruptura entre 6,8% e 11,1%, mostrando que categorias de giro mais previsível conseguem ser melhor controladas quando a operação de reposição acompanha o ritmo de saída do produto.
Por que a ruptura persiste mesmo com tanta tecnologia disponível
O índice da Neogrid não mede falta de produto na indústria. Mede falta de produto na prateleira. E essa distinção é o ponto central do problema: na maioria dos casos, o estoque existe, só não chegou da área de retaguarda até a gôndola a tempo.
Esse tipo de ruptura, chamada de ruptura operacional, não se resolve com mais produção nem com mais distribuição. Se resolve com alguém verificando a prateleira na frequência certa e acionando a reposição antes que o consumidor chegue.
O comportamento do shopper diante da ruptura
Quando o produto não está disponível, o consumidor raramente espera ou troca de loja. Na maioria dos casos, leva o concorrente e segue com a vida, sem reclamar e sem voltar depois para verificar se o problema foi resolvido. É uma perda de venda que não gera chamado, não gera reclamação, e por isso é sistematicamente subestimada por quem só olha o relatório de vendas.
Onde a execução de campo entra
O profissional de campo é quem fecha essa distância entre o estoque disponível e a prateleira abastecida. Verifica a gôndola, confere se a reposição está sendo feita no ritmo da categoria, aciona o time da loja quando identifica falha e registra a ocorrência para que ela não se repita na próxima visita.
O índice de ruptura de 2026 mostra uma melhora em relação aos meses anteriores, mas categorias inteiras ainda operam acima de 20%. A diferença entre estar nesse grupo ou não depende menos de quanto se investe em mídia, e mais de quanta presença qualificada existe no ponto de venda.
Fontes: Ruptura em supermercados cai para 11,5% em abril, aponta Neogrid